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05/07/2019
Ciência e Pesquisa
Essencial para o corpo, vitamina C também é um combustível do câncer
Pesquisa mostra que cerca de 20 cânceres estudados suprem sua necessidade de grande quantidade de nutrientes através da reciclagem da vitamina C
Sabe-se que a ingestão de vitamina C é fundamental na dieta porque, entre outras coisas, protege contra o dano oxidativo causado pelos radicais livres. Mas uma equipe de pesquisadores chilenos acaba de demonstrar que serve também como combustível para as células tumorais de diferentes tipos de câncer.

Docentes da Universidade de Concepción, liderados pela doutora Coralia Rivas, acabam de publicar os resultados de cerca de 20 anos de pesquisa na revista Free Radical Biology and Medicine.

A conclusão é que os cerca de 20 cânceres estudados satisfazem suas necessidades de grandes quantidades de nutrientes através da reciclagem da vitamina C. “Se olharmos a partir de um contexto das células, as cancerígenas não sabem que são ruins; sabem de que necessitam para sobreviver”, diz Rivas à AFP por telefone.

Até agora, haviam-se estabelecido duas formas de vitamina C no organismo: a oxidada (ácido desidroascórbico ou DHA), que se encontra em altas concentrações em ambientes pró-oxidantes ao redor de tumores e a reduzida (AA, ácido ascórbico), que possui a benéfica função antioxidante.

O mecanismo descoberto consiste em que as células tumorais adquirem esse DHA, que se encontra em grandes quantidades ao seu redor, o transportam para seu interior e o convertem em vitamina C reduzida, a molécula que lhes permite continuar vivendo, diz a pesquisadora.

As células tumorais de mama, próstata e leucemia “eram capazes de acumular intracelularmente muito mais vitamina C que as células normais”, revela Rivas, que em 1993 publicou um trabalho sobre esse tema na revista Nature.

Para a pesquisadora, essa descoberta é de “suma importância porque significa que a vitamina C está fortalecendo as células tumorais e as deixa mais resistentes aos tratamentos”.

“A célula tumoral consome altas quantidades de antioxidante que, nesse caso, é a vitamina C, que é usada para inibir esse ambiente oxidativo”, diz a pesquisadora.

Estudos já apontavam que a vitamina C inibe, de certo modo, os tratamentos de quimioterapia e radioterapia, diz a pesquisadora, que indica que o passo seguinte é “poder inibir a captação desse transportador de vitamina C que está localizado na mitocôndria”, organela onde é gerada a energia de que as células necessitam para sobreviver, duplicar-se e realizar todas as suas funções.

Segundo essa investigação, a chave da sobrevivência de diferentes tipos de câncer não só estaria na capacidade aumentada dos tumores de adquirir a forma oxidada da vitamina C, mas também em outro elemento-chave: a presença de um transportador de vitamina C mitocondrial denominado SVCT2, que seria o “veículo” que permitiria à mitocôndria do tumor trasladar a vitamina ao seu interior e, dessa forma, evitar sua própria morte.

A pesquisadora alerta, porém, que não se deve “parar de tomar vitamina C sob nenhuma circunstância”, já que ela previne doenças e é essencial para o corpo.
Revista Exame

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