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02/07/2019
Ciência e Pesquisa
A eficácia da biópsia líquida no tratamento do câncer
Para as análises de DNA tumoral, as amostras podem ser processadas no PCR em até dois dias
Pacientes protocolados em pesquisas clínicas do A.C. Camargo Cancer Center têm conhecido os benefícios da biópsia líquida, método não invasivo de fácil coleta que permite o acompanhamento da doença em tempo real, além de orientar quanto às melhores terapias para cada caso.

A partir do sangue ou qualquer outro tipo de fluido biológico, é possível acompanhar a progressão do câncer com o monitoramento das células tumorais circulantes (CTCs), que avalia se o paciente está reagindo à terapia adequadamente; ou verificar mutações de genes de resistência ou de alvos de tratamento específicos para direcionar a terapia de forma mais eficiente com a análise dos fragmentos de DNA. “A biópsia líquida é muito útil nesse sentido, pois conseguimos ver se o paciente está progredindo ou respondendo à terapia”, ressalta a pesquisadora o A.C. Camargo Cancer Center Ludmilla Chinen, que trabalha na detecção e análise molecular de células tumorais circulantes.

Outro ponto relevante da biópsia líquida refere-se ao custo, bem mais baixo se comparado ao acompanhamento da doença pelos meios tradicionais, que envolvem exames de imagem periodicamente, além de alguns riscos, como exposição à radiação e métodos invasivos, quando há necessidade de contraste, por exemplo. “Hoje a coleta da amostra para a biópsia líquida é feita juntamente com o hemograma de uma pré-quimioterapia ou em um pré-cirúrgico, até evitando o sofrimento de picadas extras no paciente”, coloca Ludmilla.

Para a realização da coleta o paciente não precisa de nenhum preparo especial e a amostra de sangue deve ser mantida em homogeneização. Para as análises de DNA tumoral, as amostras podem ser processadas no PCR em até dois dias, isso por causa do seu  acondicionamento em um tubo especial que garante suas características. Já o processamento para células tumorais circulantes deve acontecer em até quatro horas após a coleta. Os resultados são obtidos em até três dias.

As análises dessas CTCs acontecem por um sistema de filtração do sangue que separa a célula tumoral em uma membrana e que tem constituído a base para criação de um banco de dados dessas células dos pacientes. Hoje o A.C. Camargo já conta com material de 600 pacientes com oito tipos diferentes de CTCs.

Diagnóstico primário é o futuro

Atualmente esse tipo de biópsia ainda não é utilizada para diagnóstico primário e também para a identificação de metástases, uma vez que um resultado positivo não determina o local exato da doença, salvo em casos em que as mutações das células são conhecidas, como no caso de câncer de pâncreas, colorretal ou pulmão.

Mas Ludmilla Chinen acredita que dentro de alguns anos poderá ser largamente utilizada na detecção inicial da doença, principalmente por ser um método com altíssima sensibilidade e por haver diversos estudos multicêntricos e unicêntricos para avaliar a sua eficácia. O A.C. Camargo Center pretende inserir as análises por biópsia líquida na prática clínica até 2020.
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